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Vilar Torpim

A aldeia de VILAR TORPIM fica situada a 9km da sede do concelho, Figueira de Castelo Rodrigo, na margem direita da ribeira de Avelar, afluente do rio Côa.

Esta povoação é muito antiga falando-se dela já no tempo  de Fernando Magno, rei de Leão, em 1039. Mais tarde no ano de 1176 foi doada por Fernando II de Leão aos monges da Ordem Militar de São Julião do Pereiro, passando para a Ordem de Cristo quando esta região foi anexada por Portugal pelo tratado de Alcañizes.

O nome de Torpim virá de "Turpino", bispo guerreiro francês que, sob as ordens do rei de Leão, por aqui lutou contra os mouros. Por sua vez o nome Vilar deriva do termo "villae" o que significa casa agrícola do período romano. Na zona do Barrocal ainda se encontram vestígios da antiga calçada romana incorporada na via Imperial que ligava a Egitânia à cidade da Guarda.

Nos séculos XV e XVI foi importante centro de passagem de mercadorias, tendo aí existido uma grande alfândega. 

Foi 1º Barão de Vilar Torpim, Francisco José Pereira, nascido em Vilar Torpim em 28-09-1783 filho de Francisco José Pereira, Major de Infantaria e de Mariana Vitória Ferreira Cardoso. Casou em 15-01-1804 com Maria José de Sá Pereira, nascida a 23-06-1785, filha de António Domingas de Sá, Tenente-Coronel e de Rosa Mariana de Andrade. Nas lutas Liberais, desempenhou papel significativo, pois foi quartel-general do general Conde do Bonfim, que se instalou na Casa do Fidalgo.

"É uma povoação soberba, com habitações de sólida construção, onde a vetustez se assoma a cada passo. Num relance notará que são imensos os sinais de nobre condição, mormente a feição serena e sóbria de seus habitantes, povo de bastos padecimentos. Hoje pejada de gente idosa, Vilar Torpim mostra o que resta do povo guerreiro que ali morou, aviesado na lide com as hordas invasoras que, em tempos de acirrado conflito, cruzavam a ribeira de Tourões e arremetiam pelo ermo, arrasando e rapinando o que apanhavam de caminho. Antes da decadência, foi por largos tempos local de paragem para quem andava de jornada, sobretudo almocreves e peregrinos, possuindo boas estalagens. Em termos monumentais destaca-se a Igreja Matriz e o Solar dos Saraivas, o lagar e a ponte velha e as várias fontes e capelas". De realçar a Igreja Paroquial, de raiz medieval, com uma única nave, cuja maior peculiaridade está na capela renascentista que incorpora, onde está o túmulo de granito, com estátua jacente, do nobre cavaleiro D. António de Aguilar, que foi senhor destas terras e gentes. Os demais lugares de culto, dignos pela sumptuosidade com que se impõem, demonstram a danada fé deste povo: as capelas de Santo António, de Santo Antão e do mártir São Sebastião, esta última algo afastada da povoação. Nas voltas que conduzem aos locais apontados, é de reparar na fonte romana (próxima à capela de Santo António) e nos chafarizes do Lagar e das Carvalheiras, filões de onde provinha a água que satisfazia a sede. Atente-se também no calvário em granito escuro, alçado sobre forte peanha de cinco degraus.

Notável, imponente e rico é o Solar dos Saraivas, ou Casa do Fidalgo, cuja construção advém do século XVIII e apresenta majestático brasão sobre o pórtico principal. O belo solar deu guarida às famílias que domavam o povo, proprietárias das maiores riquezas do termo, mas também consta que terá servido de hospital de sangue, durante as lutas liberais.

Uma vista pelos caminhos que rodeiam Vilar Torpim fá-lo-á tropeçar em algumas alminhas, precioso testemunho destas terras raianas, de muita e forte crença religiosa. As alminhas não são mais que cruzes de granito ou nichos escavados em rocha, que, erigidos, apontam onde houve tragédia, ou lugares de especial devoção. Eles inculcam a coesa fé popular, o temor ao Criador, mas também a superstição e o agouro de quem corria os caminhos isolados, como seu necessário modo de vida.

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